A diferença entre as capas da Time nos EUA e no resto do mundo

Anúncios

O homem-coisa e a inteligência coletiva

O poeta inglês John Donne afirma que nenhum homem é uma ilha isolada. Istoé, simbolicamente falando, entre pensamentos e técnicas interligando homem e máquina, existem milhões de redes concectando os processos intelectuais de toda sociedade, a memória coletiva. Em um grosso modo, quando Isaac Newton proclamou a celebre frase “Se enxerguei mais longe foi porque me apoiei sobre ombros de gigantes” pode ser encarada como um exemplo do caso de estudo do filósofo francês Pierre Lévy. Em uma analogia, os “ombros de gigantes” de Newton funcionam como a memória coletiva de Levy. Isso faz com que ninguém produza um conhecimento do zero. A técnica do saber vira um instrumento de produção para uma colaboração democrática. Em um capitalismo cognitivo, a mercadoria não precisa ser necessariamente, palpável, o que se vende é a informação. Tudo isso implica na memória coletiva, que funciona como uma identidade/inteligência horizontal. Mas da onde vem tudo isso e o que muda no mundo atual? A Wikipédia é resultado de uma construção colaborativa e democrática de conhecimento criado por coletividades pensantes. Com mais de 19 milhões de artigos, é a mais enciclopédia colaborativa do mundo. Algo que nenhum livro impresso no mundo conseguiria absorver.

Coletividades pensantes

A cibercultura funciona como um pensamento em rede mesclando funções de saberes da cultura, da sociedade e das novas tecnologias a partir da segunda metade do século XX. É o resultado entre as técnicas de comunicação, as instituições sociais e o pensamento individual. O que muda no mundo atual é a democratização do pensamento. Na comunicação social, não há nenhuma teoria que seja 100% verdade ou inverdade, mas como o próprio autor descreve, caminhamos para uma ecologia cognitiva. Ou seja, a diretriz que se deve seguir é um balanço sustentável entre as relações de novos conhecimentos entre homem e máquina.

O também filósofo e também francês Bruno Latour classifica a memória coletiva como toda interação social em processos intelectuais. As novas possibilidades dessas reações são inúmeras para a aldeia global. Com isso, é possível cada vez mais criar mercados de nicho, que atendam às demandas de cada comunidade cultural. Quando estamos conectados em rede, sem uma matriz central, possuímos independência própria, que, quando abastecida intelectualmente, pode se tornar auto-sustentável.

Além da Wikipédia, um exemplo de cibercultura é a teoria da cauda longa, onde há uma democratização das ferramentas (vistas aqui como técnicas de produção). O autor da tese, Chris Anderson cita o computador pessoal como uma das personificações de sua teoria. Com uma interface simples e custo reduzido, o PC deu a milhões de pessoas a capacidade de produção antes restrita a uma pequena elite. O resultado é que a quantidade de conteúdo disponível hoje cresce mais rápido que nunca. Isso só foi possível graças à memória coletiva, já que a teoria de Anderson se baseia em quantidade de produtos e grau de popularidade no mercado. Nada disso seria possível caso o conhecimento não fosse em rede. O que a cauda longa propõe é fazer com que as possibilidades de uso de técnicas abrem configurações para a tecnologia intelectual coletiva nos dias de hoje.

 Decodificações por interface

Como já visto anteriormente com o exemplo de um computador pessoal, é possível afirmar que as máquinas são ferramentas essenciais para a formação da sociedade em rede. Algumas de suas utilidades são formar e estruturar o funcionamento dos sistemas e as aptidões das pessoas. Os dispositivos técnicos funcionam como pontes de ligação entre homem e máquina para um produto final satisfatório. Nesse sentido as interfaces funcionam como uma tradução para técnicas em que os participantes são cúmplices de um convencionalismo de significado.

Questões jornalísticas

Vem da alma?

 

Mídia, joio e trigo

…Afinal, para alguns, o jornalismo é mesmo separar o joio do trigo, e publicar o joio.


Para ler ouvindo Nevermind

No dia 24 de setembro de 2011 o segundo álbum do Nirvana completou 20 anos de lançamento. Hoje, Nevermind faz parte da lista de Top 10 dos álbuns mais importantes do mundo em qualquer revista especializada em música e influenciou diretamente meio mundo de bandas que vieram depois. A outra metade sofreu apenas influência indireta.

Meu contato com Nirvana sempre seguiu em uma via afetiva. Quanto tinha 11 anos, a banda lançou uma coletânea que incluía “You know you’re right”, gravada no final da carreira, em 1994. O vídeo mostrava três carinhas de cabelos sebosos quebrando guitarras, baixos e baterias enquanto o vocalista esgoelava o refrão “Paaaaaaaaaaaaaaaain” 23 vezes seguidas. Fiquei embasbacado. Tinha encontrado o paraíso em um vídeo de três minutos.

 No corredor da minha antiga casa, entre a cozinha e sala de estar, ficava um antigo som Gradiente, ainda com vitrola e duas caixas de som maiores que um amplificador, dessas que já são patrimônios da família há mais de vinte anos. Costumava deitar no chão frio e colar o ouvido no som, para depois minha mãe gritar histérica palavrões sobre ficar surdo. Depois de um tempo, sabia o timing de cada viradinha da bateria ou linha do baixo. Nevermind foi o primeiro CD que comprei. Quase furou de tanto ouvir e terminou sendo roubado junto com o carro do meu pai algum tempo depois. Chorei horrores, foi um tempo bom :)

 Em 2001, a internet começava a bombar no Brasil. Em êxtase com Nirvana, rasguei as partes do joelho de todas as calças jeans da calça e nunca mais lavei um All star. Participei de chats da UOL onde defendia a banda contra fãs de Guns n’ Roses e passava madrugadas na net com grupos de noobs que amaldiçoavam Courtney Love na teoria em que Kurt não teria se matado. Comprei camisa preta com a letra e a tradução de Lithium na parte de trás. Era um mini punk horroroso no auge dos meus 12 anos, aaaaah, the good old days….

 De Nirvana, veio a linha condutora do gosto musical. Primeiro veio o óbvio. Grunge como Alice in Chains, Soundgarden e Pearl Jam. Depois influências tipo Sonic Youth, Pixies, Ramones e Vaselines. Era época de boom de Strokes, The Vines, Hives, White Stripes e o caralho a quatro, então isso também entrou na lista de influências. Hoje é uma mistureba de tudo isso com mais um pouco de guitarras distorcidas, cuícas de sambas doidos, música cubana com reggaeton, punkrock inglês e tudo mais esquisito que se fosse contar, iria tudo em um texto a parte.Sempre quando algum jovenzinho me joga a clássica “Qual é sua banda predileta” respondo Nirvana e nem sei ao certo dizer o porquê, o feeling da banda era algo que vinha do estômago, um conceito dionisíaco de música, qualquer banda que faça um som sincero, barulhento, honesto e sem firulas me apetece. Nem costumo mais ouvir Nirvana, a não ser umas coisinhas do In útero e do unplugged, ou coisas raras que se veem pelos youtube da vida, mas, pelos dos vinte anos de Nevermind, participei com orgulho,dos dez últimos anos.

Pac Cemetary

Por Douglas Maciel

Logicamente no dia de finados, em dois de novembro, todos os cemitérios do país ficam mais movimentados com os familiares prestando homenagens aos parentes morto. Com esse intuito,  o já conhecido artista plástico  “Markin” Pinta alia a arte  à sua forma de respeitar os antepassados. Sempre com um olhar irreverente e moderno, Markin não para de produzir novas obras em Brumadinho. Para isso, ele desenvolve seu trabalho artístico em ambientes “pouco usuais” no mundo da arte. Dessa vez não foi diferente. O artista resolveu produzir sua nova obra no cemitério municipal. Mais precisamente no lugar mais what the fuck  inesperado possível: O túmulo de seus familiares.

Com essa obra, Marquinhos “desloca” o objeto (neste caso o túmulo) de sua função, que é ser um depositório de mortos, e o utiliza como suporte artístico. Um dos motivos de Marquinhos para a realização desta obra, também é o fato de o cemitério ser o único lugar em Brumadinho onde não há uma obra ou pintura de sua autoria. “Existem trabalhos meus, principalmente no campo da publicidade, espalhados por Brumadinho inteiro. Só o cemitério não possui. Tem apenas minha caligrafia”, diz o artista que já pintou muitos letreiros nos túmulos do cemitério.

Markin Pinta não sabe qual será a reação das pessoas que passarem pelo túmulo de sua avó, mas é justamente essa infinidade de possibilidades de reações das pessoas que o atrai. “O que vai acontecer aqui hoje, agente não sabe a reação das pessoas. O cemitério é um lugar muito sombrio e com este trabalho de hoje vou trazer um pouco de cor para este lugar, onde as pessoas vão poder passar aqui e ter um sentimento diferente, como foi o do caixão daquela vez. Talvez as pessoas possam ter outro momento de reflexão”. Uma coisa é certa: não dá para prever o que pode sair da mente criativa de Markin Pinta. Não há limites para suas ideias e as possibilidades que ele vislumbra são as mais variadas possíveis.

OBS: Fãs de Ramones irão entender o título.

La obra en tu gran finale

Vi no blog do Douglas

A arte que vem das ruas

Por Marinha Luiza

Para quem produz arte e ainda não tem lugar para expor seu trabalho, o Edifício Maletta, em BH oferece o espaço ideal para isso: a galeria Ystilingue. Segundo Moshe, um dos idealizadores, o Ystilingue é um espaço libertário, anárquico e aberto a experimentação.A galeria conta com exposições, apresentações e oficinas de artistas plásticos, grafiteiros, poetas, capoeiristas, entre outros. “A gente não tem a intenção só de vender as obras, mas discutir as experiências de quem está produzindo”, diz. As exposições, intituladas “Piolho Nababo”, acontecem sempre às sextas-feiras, das 19h às 23h. A entrada é gratuita e as obras são vendidas a partir de R$1,99. Para participar é só das as caras nas reuniões realizadas toda segunda-feira, a partir das 19h e definir a melhor data para mostrar seu trabalho. O artista decide com qual porcentagem de lucro pode colaborar.